Silva Reis, um homem, duas vidas
“Pois dentro desta manhã
Vou caminhando. E me vou
Tão feliz como a criança
Que me leva pela mão.
Não tenho nem faço rumo:
Vou no rumo da manhã,
Levado pelo menino
(ele conhece
caminhos
e mundos, melhor do que eu)"
- Thiago de Mello
Mais uma
carta ao vento, papel esvoaçante, sem destino. Desabafo enigmático que, como
outros, não chegará a ninguém. O envelope, intencionalmente simples, não atrairá
leitores. Assim se deseja!... “Não tenho nem faço rumo: vou
no rumo da manhã, levado pelo menino (ele conhece caminhos e mundos, melhor do
que eu)”.
Sempre levado pela mão de quem o amou, percorreu confiadamente os
caminhos que lhe foram propostos e lhe definiram a vida até aqui. Acumulou
inesquecíveis experiências, algumas irrepetíveis, criadoras de sentimentos que
resultaram numa dedicação
irreclamável, mesmo quando
o cansaço começou
a sugerir alguma desaceleração.
O que construiu está diante dos olhos de todos os que veem. Nem muito nem pouco, o
possível!... Mas sempre com amor, com entrega sem reservas, sem queixumes. A conservação
do seu
mundo tem sido
extremamente desgastante. Os últimos
invernos, muito rigorosos, provocaram acentuados estragos, felizmente
eliminados por urgentes reparações. O
preço tem sido bem alto; até quando o conseguirá pagar?... Preocupam os
próximos invernos; quem os suportará?
Sem manutenção avançará a ruína,
a demolição natural.
Tanto se perderá no pó
da terra, sob novas edificações que não assegurarão a memória dos tempos. Nem
um simples agradecimento a quem por ali andou!
“Sei que sou pouco e que sei pouco.
Mas dentro
do pouco que sei e que
sou
me dou por inteiro.
Mesmo sabendo que nunca verei o homem
Que gostaria de ser”.
- Thiago de Mello
O Alemão
2024.10.25

Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.