“No cálice do meu refúgio, resta-me
beber o vazio de
meu ser para humedecer a poeira de minhas palavras mudas. Não estou triste,
não estou cansada,
não estou
NADA.” – Rosa Berg
“Sempre consegui esconder os meus sentimentos através do sorriso,
sabe? Era só sorrir
e pronto, estava
tudo bem. Por dentro a dor me consumia, mas ninguém
precisava saber, então eu sorria”
- Larissa Cotona. Distância segura,
constante, face a frequentes tentativas de aproximação perturbadora. Quantas vezes
“- tudo bem, está tudo bem!” e
um calmo sorriso a confirmar a confissão, desencorajaram a curiosidade
ousada, perversa até, de quem pretendia, sabe-se lá com que intuito, a
descoberta de padecimentos silenciados e guardados em espaços sagrados da vida dos outros, de alguns dos outros
criteriosamente selecionados. Sofrimentos ocultos, longe do olhar maldoso
de quem não seria nunca capaz de os entender verdadeiramente. Tristezas e
cansaços negados, profundamente escondidos num vazio que dói, que dói muito, mas que ninguém vê. E quanto ao nada, insensível esvaziador de
sentimentos, é vê-lo dando-se ares de felicidade… O preço a que a paz chegou; um sorriso,
mesmo sendo de dor! Quem diria!...
“Possuía uma arma, um escudo, uma armadura, um
disfarce. Possuía um sorriso”.
– Autor desconhecido
Sempre pronta, arma não
carecida de licença
de utilização. Escudo
e armadura, proteção pessoal
de eficiência comprovada e de uso quase indispensável perante a agressividade
do mundo atual, cada vez mais estranho. Dores disfarçadas de um perfeito
bem-estar, clamores de alma feitos
silêncio para que ninguém os escute, preocupações de
vida suportadas em solidão, não transmissíveis a terceiros… e sempre o sorriso,
mesmo sendo de dor!
Cartas ao vento, papeis amarrotados e desamarrotados, inúmeras vezes,
para substituição sucessiva de palavras cujo peso inicial,
a manter-se, as impediriam
de voar. Conteúdo final bem longe do texto originalmente ditado. Palavras, muitas palavras, em torno de sentimentos irrevelados… Ninguém as lê… e ainda bem!
“O sorriso não é sempre
o melhor remédio,
às vezes é apenas o melhor disfarce” – Éneas.
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
Sorri vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz”
- João de Barro
O Alemão
2024.12.16

Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.